O QUE QUEREMOS

03/06/2021


Queremos ser ouvidos!

"A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte / A gente não quer só dinheiro, a gente quer dinheiro e felicidade" ( Titãs )

As plataformas de conteúdo digital são hoje uma fonte de renda, empreendedorismo e protagonismo para muitos anônimos que não tinham acesso às mídias convencionais como rádio, TV, jornais e revistas. A internet inclusive mudou a relação e o conceito de veículos de comunicação, estabelecendo novos parâmetros para a forma como são criadas as pautas.

O mercado do showbiz também sofreu uma transformação radical desde a criação do single, passando pela distribuição até os shows.

A rádio e a TV aberta perderam bastante espaço para as plataformas de streaming e podcast. Um mundo de conteúdo que faz com que o usuário naufrague nesse mar de informações. Neste contexto uma curadoria se faz necessária e dentro dessa curadoria o personagem do influenciador digital ganha relevância cada vez mais, pelo simples fato dele tanto influenciar o consumo de produtos e serviços como dar dicas do que assistir, ler e ouvir de acordo com cada grupo de interesse.

Para nós, pais e educadores, preocupa muito o fato de que a internet seja uma fonte inesgotável de conteúdos divertidos mas "sem conteúdo realmente relevante" para os nossos filhos". O que percebemos é muita futilidade no conteúdo produzido por influenciadores digitais famosos e isso nos faz levantar uma questão.

Por que não juntar diversão e conhecimento numa coisa só?

A quantidade de conteúdo produzido e distribuído nas plataformas digitais e redes sociais nos fazem acreditar que a maioria das pessoas só pensam em se divertir e pouco se importam com os problemas do mundo real que as cerca. Memes, dancinhas à ataques a posicionamentos políticos, tutoriais de coisa nenhuma levam a crer que é preciso ser fútil para se ter audiência.

Por que não buscar uma um caminho de equilíbrio entre conhecimento e entretenimento?

Queremos ser ouvidos...

"Eu fico com a pureza da resposta das crianças" ( Gonzaguinha )

A falta de interesse da geração atual nas plataformas de comunicação convencionais se dá porque nestes canais as crianças e adolescentes não tem lugar de fala, os adultos geralmente é quem falam por eles, ou quando os deixam falar é dentro de uma pauta ou interesse de adultos.

A TV aberta de hoje não é feita pensando nesse público. Nos anos 80 e 90 boa parte da grade de programação era dedicada ao público infanto-juvenil. A rádio do segmento pop feita para essa faixa etária nas mesmas décadas sempre ignorou as crianças, e mesmo assim o conteúdo para adolescentes ficou defasado, o que levou ao desinteresse deste público.

Mais que mídias e conteúdos feitos para crianças e adolescentes se faz necessário que estes conteúdos e canais sejam feitos por seus pares, os que sentem as mesmas dores e têm as mesmas percepções de suas necessidades, aspirações e sonhos. Desconheço hoje a existência de uma emissora de rádio ou TV onde crianças e adolescentes sejam os protagonistas.

Engajamento, inclusão social e digital.

"Sempre poderemos viver em paz / Em tempo / Tanto a fazer pelo nosso bem /Iremos passar / Mas não podemos nunca esquecer / De mais alguém / Que vem / Simples inocentes a nos julgar Perdidos / As iluminadas crianças" ( Beto Guedes)

O longa de animação Soul ( Disney+) conta a história de Joe, um professor de música do ensino médio apaixonado por jazz, cuja vida não foi como ele esperava. Quando ele viaja a uma outra realidade para ajudar outra pessoa a encontrar sua paixão, ele descobre o verdadeiro sentido da vida.

Ajudar a nova geração a encontrar e viver sua missão, paixão e propósito é papel da escola de hoje. Muito mais que acumular saberes ou formar profissionais, preparar a criança para se tornar um adulto realizado e relevante e enfrentar os desafios de uma nova sociedade.

Aos pais cabe o papel da presença, do suporte e diálogo constante.

Nós da Rádio & Escola trabalhamos para unir escolas e famílias para juntos conectarmos diversão com conhecimento ( através de textos, áudio e vídeo) e provocar mudanças significativas na educação e na sociedade a partir do ponto de vista dos mais interessados e capacitados para isto: As crianças e adolescentes.

E preparar nossas crianças para serem criativas, inovadoras, engajadas, generosas, inclusivas, justas, empáticas, protagonistas e empreendedoras. Para que acima de tudo entendam o valor de compartilhar bens e conhecimentos com outras crianças excluídas social e digitalmente.

Jorge Luiz Moreno - Radialista e Empreendedor Social.

@morenofalaserio

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